Arquétipo
Padrões primordiais e universais de percepção e comportamento, herdados com o inconsciente coletivo. Para Jung, o arquétipo é uma forma sem conteúdo próprio: uma predisposição a viver e representar certas experiências fundamentais — a mãe, o herói, a sombra, o velho sábio. Ele nunca é observado diretamente; manifesta-se por meio de imagens arquetípicas em sonhos, mitos, contos de fadas e sintomas.
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Sombra
Conjunto dos aspectos da personalidade que o eu consciente rejeita, reprime ou desconhece — traços considerados inaceitáveis, mas também potenciais não desenvolvidos. A sombra costuma aparecer projetada nos outros: aquilo que mais nos irrita em alguém frequentemente aponta para um conteúdo nosso. Reconhecê-la e integrá-la é uma das primeiras e mais exigentes etapas do processo de individuação.
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Anima
A imagem interior do feminino na psique do homem. Formada pela experiência pessoal e pelo fundo arquetípico, a anima atua como mediadora entre o eu consciente e o inconsciente, aparecendo em sonhos e projetada em figuras femininas significativas. Quando não reconhecida, manifesta-se em humores, fascinações e idealizações; integrada, torna-se ponte para a vida simbólica e afetiva.
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Animus
A imagem interior do masculino na psique da mulher, contraparte da anima. Expressa-se tipicamente como convicções, opiniões e julgamentos interiores e, projetado, em figuras masculinas significativas. Não integrado, tende a aparecer como opinião rígida e crítica implacável; integrado, oferece discernimento, firmeza e capacidade de posicionamento próprio.
Veja também: Anima · Projeção
Self (Si-mesmo)
Arquétipo da totalidade e centro regulador da psique, que abrange consciente e inconsciente — distinto do eu (ego), que é apenas o centro da consciência. O Self expressa-se em símbolos de totalidade, como a mandala, o círculo e a figura do centro. É, ao mesmo tempo, a origem e a meta do processo de individuação.
Veja também: Individuação · Arquétipo
Persona
A máscara social: o conjunto de papéis, atitudes e aparências com que o indivíduo se apresenta ao mundo e negocia com as expectativas coletivas. A persona é necessária à vida em sociedade; o problema surge quando a pessoa se identifica totalmente com ela e confunde o papel com quem de fato é, empobrecendo a vida interior.
Veja também: Sombra · Individuação
Inconsciente Coletivo
Camada mais profunda da psique, comum a toda a humanidade, que não deriva da experiência pessoal: é herdada e contém os arquétipos. Distingue-se do inconsciente pessoal, formado por conteúdos esquecidos ou reprimidos da biografia do indivíduo. Sua existência é inferida pela recorrência dos mesmos motivos simbólicos em mitos, religiões e sonhos de culturas sem contato entre si.
Veja também: Arquétipo · Complexo
Individuação
O processo central da psicologia junguiana: tornar-se aquilo que se é, um indivíduo inteiro e indivisível. Envolve a diferenciação em relação aos papéis coletivos, o confronto com a sombra, o diálogo com anima ou animus e a aproximação gradual do Self. Não é isolamento nem perfeição, mas integração progressiva dos opostos da personalidade.
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Sincronicidade
Coincidência significativa entre um estado psíquico e um acontecimento externo, sem que haja relação de causa e efeito entre eles — a ligação se dá pelo sentido. Jung propôs o conceito como princípio de conexão acausal, complementar à causalidade. O exemplo clássico é o do escaravelho: o inseto que bate à janela no momento em que a paciente narra um sonho com um escaravelho de ouro.
Veja também: Inconsciente Coletivo
Complexo
Conjunto de representações, lembranças e emoções fortemente carregadas de afeto, agrupadas em torno de um núcleo arquetípico — como o complexo materno ou paterno. Os complexos comportam-se como personalidades parciais relativamente autônomas: quando ativados ("constelados"), interferem na vontade e na memória. Jung os chamou de via régia para o inconsciente.
Veja também: Arquétipo · Projeção
Projeção
Mecanismo involuntário pelo qual conteúdos inconscientes — qualidades, defeitos, afetos — são atribuídos a pessoas, grupos ou objetos externos, onde passam a ser percebidos como se pertencessem ao outro. A projeção empresta intensidade desproporcional a atrações e aversões. Recolher as próprias projeções é trabalho essencial do autoconhecimento e da individuação.
Veja também: Sombra · Anima · Animus
Função Transcendente
Função psíquica que emerge da tensão sustentada entre um conteúdo consciente e seu oposto inconsciente. Quando o indivíduo suporta o conflito sem reprimir um dos lados, a psique produz um símbolo — um "terceiro" — que une os opostos em um nível novo e permite a transformação da atitude. É a base de métodos como a imaginação ativa.
Veja também: Individuação · Self (Si-mesmo)