Para Jung, ninguém nasce pronto: nascemos com um potencial de totalidade (o Si-mesmo, ou Self) que precisa ser realizado ao longo da vida. A individuação é justamente esse desdobramento — um diálogo contínuo entre o ego, que é quem achamos que somos, e o inconsciente, que guarda tudo o que ainda não sabemos sobre nós. Nesse caminho encontramos a Persona (as máscaras sociais), a Sombra (o que negamos em nós), a Anima e o Animus (as imagens internas do feminino e do masculino), até uma relação mais madura com o Self.
Importante: individuação não é individualismo. Não se trata de se isolar ou de viver apenas para si, mas de se diferenciar — deixar de viver no automático, repetindo expectativas da família e da cultura, para assumir com consciência o próprio jeito de estar no mundo. Por isso Jung dizia que a individuação, bem conduzida, melhora também os vínculos: quem se conhece projeta menos os próprios conflitos nos outros.